segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sintonia...







Por onde me volto não encontro vida. Só existe ao meu redor árvores de cimento e pior, nem braços têm... Só troncos, estou rodeada de cimento, sem vida sem calor, sem sentimentos.
Mas o meu espírito empreendedor não fica por aqui, e vou continuar a fazer as minhas buscas, tentando encontrar um lugar onde se viva , com todos os bens que a mãe natureza nos possa dar.
Neste emaranhado de prédios todos tipo caixotes, onde mal se vê o céu, e as estrelas apenas ouvimos dizer que existem pois não se vêm nestas cidades de ferro e betão. Até a via láctea que nos servia de guia quando de noite caminhávamos, desapareceu, deixou de ser vista...
É o sinal da modernidade eu sei, mas estou com muita vontade de voltar a sentir, os sabores e cheiros da terra e de poder ver o céu em toda a sua plenitude e sem blocos de cimento.
Saí da cidade e fui até onde minhas pernas me levaram, caminhando sem destino, o ditado do povo diz “ querer é poder... ” E quando dei por mim estava no meio de uma floresta de árvores altíssimas que mal se via a sua copa, de variadíssimas formas e cores. O chão coberto de musgo, plantas rasteiras, e folhas de árvore. Os laivos de sol que conseguiam penetrar através da ramagem e das flores que se encontram por todos os lados davam uma luminosidade, que convidava ao passeio sem horas e saboreando ao pormenor tudo o que me rodeia.
Quedei... e até fiquei com a respiração suspensa tal era a beleza que me rodeava...
Estava numa zona baixa e comecei a ouvir um som idêntico a endecha bastante muito longínqua, e pensei de onde virá esta música um pouco triste?
Decidi imediatamente ir atrás do som. Haviam árvores que tinham os troncos de tal modo grossos que só para as abraçar seriam precisas três ou quatro pessoas de braços bem esticados. Avistei uma manada de cavalos selvagens que passeavam e comiam com suas crias o verdejante repasto que se via por todo o lado.
E o som era cada vez mais audível e menos triste. Os desenhos que se viam formados pelo sol e pelo arvoredo é digno de mestres da pintura. Estava no paraíso imaginei que tudo á minha volta era sonho...
Dei um salto tal foi o susto, naquele silêncio e tão atenta estava ao som da música longínqua, tal foi o salto dado pelo belo coelho pardo que me passou junto ás pernas, creio que também ele se sentiu incomodado com esta intrusa no seu território, e lá continuou com as pernas bem longas e a pular até desaparecer da minha vista.
Parei junto a um valado onde umas silvas verdejantes com milhões de picos, e cheia de deliciosas amoras. Na verdade já me apetecia comer qualquer coisa, e nem pensei duas vezes, larguei a mochila que trazia às costas e lá fui eu à “chinchada” (nome utilizado na minha aldeia para quem vai a terra alheia comer fruta). Apanhei e comi amoras até me apetecer. Fiquei com uma sede de morte, então decidi continuar a caminhada, procurando o que se estava a transformar numa alegre melodia, o som da água que já se ouvia bem mais perto. Oh céus! Não estava a acreditar, eu só podia estar a sonhar, belisquei-me e senti-me acordada. Na verdade o que os meus olhos vêm e o meu coração sente está em sintonia...
Uma maravilhosa cascata com uma água tão transparente e com um sol diferente servindo-lhe de manto, e desse manto maravilhoso saia um belíssimo arco--íris.
As cores, os sons, o crepitar da água e seus salpicos, o verdejante terreno que ladeava , as árvores com seus longos fracos a quererem acariciar toda aquela beleza, deixaram-me por longos instantes muda de espanto, creio mesmo que meu coração deixou de bater e por instantes senti-me levitar. Tudo isto era muito mais do que eu estava à espera quando iniciei minha caminhada.
Os passarinhos continuam a fazer parte desta estupenda orquestra em conjunto com todos os outros instrumentos musicais e suas harmoniosas cores e por momentos veio-me á ideia se este seria o local a que chamam “Eden” e que os historiadores narram o local onde Adão e Eva viveram... Para mim estava a ser o paraíso, pois a harmonia é total.
Mas a minha caminhada tinha de prosseguir, portanto depois de descansar, de ter fotografado com meus olhos e minha mente tudo o que me rodeia, ter bebido a cristalina água com a minha mão em concha, lá segui caminho e apesar de já ter andado horas não me sentia cansada, antes pelo contrário fiquei até com as forças renovadas, pela tranquilidade e beleza do meu achado... Este local irá ficar para sempre na minha mente para futuros passeios e irão servir de terapia para uma mente sã...
Descalcei-me para poder atravessar o riacho em frente ás quedas de água, afim de continuar minha caminhada, e ainda com o deslumbramento que me ia ficar na memória por longo, longo tempo.
Eu que até nem gosto de estar sozinha neste momento estava a adorar tudo o que via e sentia estava tão absorta e nem por um momento me senti só.
Ao fim de um tempo reparei que a floresta se tornava menos densa as árvores de grande porte rareavam, mas a paisagem apesar de estar a mudar, não estava menos bonita, apenas era diferente mas igualmente bela...
Há frente de meus olhos surgia como que por magia um espaço amplo de tons dourados e ondulantes com uma grande mistura de girassóis em flor com a sua corola enorme virada para o sol, e milhares de abelhas bebendo o seu néctar.
Deitei-me de costas aproveitando a palha da aveia, que me servia de cama e fiquei a ver o azul do céu a servir-me de tecto, maravilhosa sensação, até porque já me sentia um pouco cansada. Pensei de seguida, hoje ficarei a dormir na cabana de palha feita possivelmente pelo agricultor dono desta pradaria, e que me despertou a atenção pela sua perfeição, pessoa engenhosa certamente...
Depois de uns momentos de reflexão e descanso, levantei-me e segui em direcção à cabana para fazer o reconhecimento do local e as hipóteses de pernoita, estava a ser uma intrusa mas avancei.
As paredes eram feitas de canas e cobertas com palha, era redonda com cerca de seis metros de diâmetro, o tecto tinha uma engenhosa armação de arames e troncos coberto com grandes folhas, na porta tosca, existia muito bem trabalhado como se fosse a chave de um castelo, com desenhos entrançados, trabalho de muita paciência... Abri e entrei, servia na perfeição, de um lado uma tarimba servia de cama, com uma lanterna de petróleo abastecida, do outro em cima da terra batida um fogão de campismo e os apetrechos próprios para um belo chá ou café, que também havia possivelmente as reservas para emergências.
Retirei da minha mochila as sobras do meu lanche, fiz um chá de alecrim, comi, bebi o chá e fui dormir para a rua. Deitei-me á porta da cabana e comecei a contar as estrelas, coisa que não fazia desde catraia, e tinha sido esse um dos motivos da minha caminhada, ver estrelas... De volta e meia caía uma estrela e eu pedia um desejo como fazia em tempos idos, tanto as contei que adormeci.
Trim, trim, trim, acordei de um salto horas de ir para o trabalho? levantei-me com uma presteza e corri para a casa de banho qual não foi o meu espanto, o meu braço estava marcado com um grande beliscão...
Raios!... tudo não passou de um sonho, um belo sonho a cores...

27 de Maio de 2009
Margarida Simão

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A Turma de Informática






Solicitamos com ternura à nossa professora Domitila, que nunca faça Delete desta sua turma, porque estaremos sempre atentos, ao enter , daremos muita atenção ao Caps Lock, o Alt Gr e o control estão na nossa mira, o Num Lock não sairá debaixo de nossos olhos, com muita ternura trataremos do Page Up e Page Downe, nossa atenção estará tambem voltada para o Word, assim como trataremos do Excel e Power Point, todas as teclas ficaram debaixo da nossa mira, e a todas não daremos descanso...
Não daremos trégua aos teclados. O nosso objectivo é trabalho e aperfeiçoamento, em todas as dúvidas que possam surgir a procuraremos.
Mas mesmo com o Print screen, e o Insert( que nem sei a sua utilidade), o @, e $ , € e outras siglas, na nossa mente ficará :
- Um a cara linda, simpática, disponível, atenta, pronta para dar o seu saber sua simpatia e alegria também.
E que a turma tenta com as dificuldades próprias de quem nada sabe, beber o mais possível da sua sabedoria.
Bem haja professora – gostamos muito de si e desejamos-lhe as maiores felicidades do mundo.
A Turma...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Saudade




Saudade, sentimento que se sente na boca do estômago, não dói mas corroi, poderá ser alegre ou triste...
Saudade, aquela que não sabemos explicar, mas sabemos alimentar, se for triste os cantos da boca descaem,os olhos ficam sem brilho, tudo falta até a cor. Se for alegre tudo sorri, olhos, boca, expressão facial,até o nariz, toda a face emana frescura e alegria tudo é cor...
É bom sentir saudade, os vazios existêntes em espaços da nossa vida são preenchidos com as saudades sentidas de quem tem uma vida, vivida e em vida os sente...
São saudades dos pais que partiram, dos irmãos que estão longe, da familia que tem família, dos amigos que passaram, dos outros que ficaram, de um amor que já foi... e tudo isto se resume a um bem estar com melancolia, tentando relembrar o que foi belo um dia.
15 Junho 2009 Guida

sábado, 6 de junho de 2009

Os pilares





Os pilares de uma casa terão de ser sólidos, com boas vigas de ferro, cimento de boa qualidade, areia e muitos outros condimentos com que se fabricam as boas casas...
As construções de antigamente e nas aldeias onde as estradas eram caminhos de cabras, eram feitas a partir da sabedoria dos anciãos.
O conhecimento científico não existia. Então os moldes eram elaborados pelo conhecimento que recebiam dos mais velhos ou então e muitas vezes acontecia serem autodidatas. O material utilizado era o existente na região, barro com palha, blocos de barro feitos com formas de madeira e secos ao sol mais tarde cozidos em fornos.
E este conhecimento era passado dos mais velhos para os mais novos durante imensas gerações.
Nestes moldes a minha casa mais se assemelha a uma cabana sem pilares de sustentação. Não tem vigas de ferro nem materiais designados pela engenharia moderna.
Os materiais utilizados eram os que existiam na encosta escarpada de um terreno que meu antepassado muito trabalhou para o fazer crescer. Ele cresceu sim mas pouco e é de boa qualidade, graças ao tratamento a que foi sujeito e com os métodos antigos trabalhado com muito tacto, sabedoria e amor.
Fui daí que um dos pilares surgiu...
O pilar era e é a chave mestra da tosca cabana, mas na verdade o pilar estava cansado do trabalho e de carregar nas suas costas todo o peso da casa durante décadas.
Assim, decidiu aos poucos que se todos utilizavam o bem estar da tosca cabana, deveriam contribuir um pouco para o melhoramento e conservação do velho pilar.
É muito difícil conseguir algum contributo, e existem utilizadores que nem se movem, nem um leve movimento para mitigar os lamentos do velho pilar... Todos faziam ouvidos moucos, outros aos poucos iam trazendo uma colher de cimento, uns quantos dias depois outro trazia um balde de areia, ainda um outro dia vinha uma viga de ferro para que ele se mantivesse direito.
Ele sabia que os anos passados não voltavam mais, mas isto tudo que recebia de quem nem sequer tinha o dever de o tratar, já lhe dava muita alegria, e porque sentia que era um modo de recompor as suas forças e se manter em boa forma para puder manter a cabana por mais tempo de pé e até bem mais formosa...
Não há dúvida os amigos do Sr. Pilar eram bastantes e todos contribuíam muito para o seu bem estar.
Mas ele não se iludia não, apesar de todos os cuidados e atenções a que era votado teria de ser forte e não se deixar iludir porque o peso dos anos marcava em seu desabono.
Mas pensativo como estava disse para si mesmo:
- Pára bloco de barro és parvo ou quê? Com tanta gente linda á tua volta para que tu não caias, e ainda estás armado em coitadinho?
Nem pensar, olha á tua volta e vê, não estás tão mal assim, existe no mundo sofrimento que nem tu imaginas e comparado contigo és um felizardo...
Cabeça erguida, coração aberto e sorri para o mundo...



10 de Maio de 2009

Margarida Simão

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O meu Pick


Pretendo com este símbolo no meu blogue mostrar a beleza, força, dedicação, entrega. E submeter à aprovação/reprovação de todos os que o vêm, aceitando críticas. Também porque é um animal de minha eleição.Os seus olhos me transmitem ternura e olhando-o nos olhos vejo a transparência a força e a doçura do seu interior.
Guida

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A minha pedra
















Bati com a porta e saí.
Irritada como estava com esta vida que não é a minha vida. Vida parada, estática, monótona, sem afazeres, sem objectivos, e como pode alguém viver assim?
Meti-me no carro e andei sem destino durante nem sei quanto tempo.
Até que sem me aperceber e com este turbilhão de ideias a moerem-me o juízo.
Acabei por parar junto ao mar e naquela pedra tão especial que costuma ouvir meus queixumes me sentei.
Era meia tarde, os meus sentimentos estão muito revoltos, mas dei comigo a pensar nesta caixa com tanto conteúdo que é nosso cérebro, tudo muito bem arrumado ou muito desarrumado por vezes, e com algumas caixas a quererem sair do armário e sacudir o pó. A maior parte delas não são boas.
Aquelas que dizem respeito ao meu ser tento fazer separação de sentidos , mas mau grado meu revolto-me contra mim.
Será que na vida só a mulher tem deveres? E as regalias quem as tem?
Ainda bastante irritada por estas perguntas a mim mesma, e sem achar as respostas que toda a vida tenho procurado dar a mim própria.
O calor era bastante, o sol teimou em me beijar a tarde toda e a minha cara estava já bem escaldada, seria do sol ou do vulcão existente dentro de mim e que estava em efervescência tal era a irritação que me provocava a vida.
A retrospectiva que fazia não era boa o que sentia era revolta por ter sido tolerante e benévola toda a minha existência e que tinha lucrado? Nada!... Bem sei que quando as doenças aparecem não se fazem anunciar, mas que raio, à que lutar contra ela, a vida é feita de luta, mas os homens acomodam-se e é por esse comodismo que estou assim…
Mas este sol continua a fustigar-me a cara como que a dar-me força, como que a renovar-me energias, e vem-me à ideia aquele ditado popular “ Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”.
Mas com tudo isto penso que também não existe só lamentações, estas são só em espaços temporais, caso contrário ninguém aguentava.
A vida tem de ser partilhada no bom e no mau. E como nunca houve partilha eu sempre carreguei o fardo, acho que isso é que me deixa tipo vulcão e furibunda…
O sol está quase a roçar a linha do horizonte, e o meu corpo está mole, devido ao calor e ao cansaço, valeu-me uma brisa suave que começou a roçar-me a cara e os cabelos…
De repente como se tivesse sido picada por um insecto ou uma descarga eléctrica, despi a roupa fiquei em fato de banho, e nun impulso atirei-me à água e nadei com braçadas rápidas em direcção ao por do sol. A sensação é divinal deixei-me ficar a saborear a leveza do mar e o seu sussurrar nos meus ouvidos como que a querer tranquilizar-me das minhas angústias. Assim permaneci muito tempo, ora boiando, ora mergulhando com uma sensação de paz em meu espírito.
Os peixitos vieram ao meu encontro, alguns mesmo roçando as minhas pernas não sei se as beijando se dizendo que faz aqui esta intrusa?
Estava deliciada e quando me apercebi do tempo que estive a namorar com o mar nadando para lá e esbracejando para cá, estava já a anoitecer, beijei os peixes beijei a água e saí para a minha pedra conselheira. E ele me disse baixinho:
- És tolerante e paciente amiga, mas pára! Olha para os lados e para a frente, a vida tem muita beleza ainda para a aproveitares, não desprezes o que ultrapassaste na vida, mas ainda tens muito mais para viver.
Vai à luta mulher…
As estrelas já estavam a cintilar no céu e a sua luminosidade estava a indicar-me o caminho.
A paz que senti sentada naquela pedra, e a que senti da envolvência que senti dentro de água , a sintonia com os peixes, fez-me olhar para uma realidade, o viver…
E decidi nesse momento, sorrir para a beleza da vida, sorrir para o bom que ela tem para nos dar, embora carregando com seus fardos…
E assim deixei meu recanto, onde revi mais uma vez um pouco do meu interior, e gostei do que estava a sentir, uma abertura onde pudesse entrar uma réstia de um sol diferente que me aquecesse a alma…

07 de Abril de 2009

Margarida Simão

domingo, 10 de maio de 2009

A Carneirinha





Sou deste signo, teimosa, alegre, amiga, tolerante, bem disposta.
Quero um mundo sem guerras, quero um mundo com amor

sábado, 9 de maio de 2009

A minha Ilha


Foto de:Clak Little.


Local onde abundam cores maravilhosas da natureza, onde o sonho é permitido, onde a calma nos invade, onde o sol tem outra luz, onde os sentidos estão despertos aos sons,onde os cheiros são mais suaves,onde o nosso sentir tem outra força...
Guida

sábado, 2 de maio de 2009

Cerejeira


Caminhos da vida


Sentado debaixo de uma cerejeira, numa noite de Agosto em que o luar era muito reluzente, sentindo o cheiro da terra e das árvores, interrogava-me quando voltaria novamente a ter aquela sensação de paz e a sentir aqueles cheiros tão familiares e agradáveis e com os caga-lume (pirilampos) andando à minha volta como que iluminando-me os pensamentos, ou a despedirem-se de mim. Não sei mas acho que até eles pressentiam o meu nervosismo, a minha tristeza, e ansiedade, pela nova vida que vem a caminho. A partida para a grande cidade de Lisboa está eminente.
Ontem como hoje, perdia-me em cogitações:
Terminei a 4ª classe e a família precisa de ajuda para as despesas da casa mais uns escudos fazem sempre jeito.
Assim, já fiz as minhas despedidas aos meus tios e tias já as fiz aos poucos... A da família da casa, meus pais e irmãos, irão comigo até à aldeia próxima que dista cerca de 3 km local onda passa a camioneta, que me conduzirá ao novo destino.
Com os gaiatos a saltitar, a minha partida nem irá dar motivo a choros, pois isso me deixar-me-ia bastante triste. Já chega, o afastamento, de todos os que mais quero, e o aperto que sinto no meu peito.
O meu pai na noite que antecedeu minha partida e quando lhe beijei a mão, pedindo sua bênção, (costume usual na minha aldeia,como sinal de respeito para com os mais velhos, e penso que provém da religião católica. É um hábito que nos é imposto desde a nascença), tentou-me transmitir como me deveria comportar, o respeito que deveria ter para com os mais velhos, e deu-me todos os conselhos e transmitiu-me todos os valores dignos de um homem de bem, mas eu senti foi o seu sofrimento por ver que seu filho teria que abandonar a casa em busca de melhor vida para todos.
Sou novo, eu sei, e tudo irá ser ultrapassado, Vou ver se consigo melhorar as condições de vida, pois na aldeia nada existe.
A noite alta continua , e eu aqui sentado, a terra cheirando a quente deste sol de Verão, os pirilampos vindo ao meu encontro, como que a quererem despertar-me deste meu sonhar acordado. Sinto o meu peito bastante contraído pelas saudades que sei vou sentir, mas como mais velho de quatro filhos irei, e lutarei, para melhorar as condições de nossa vida.
Mas, as imagens teimam em surgir à minha mente. Vem aquele episódio em que minha irmã a segunda dos quatro filhos, andava na brincadeira na cerâmica de meu avô. Lembro-me que existiam dois tanques quadrados aí com quatro metros de lado com cerca de 80 cm de altura, onde os empregados de meu avô, o Natalino e o Moura Guedes, amassavam o barro com uns ferros idênticos a catanas, mas mais grossos onde, depois de trabalhado, o barro iria para os moldes de madeira, para manualmente, se fazerem as telhas e os tijolos.
Ora no Inverno como não se podia fazer esse trabalho porque não havia sol suficiente para secar os materiais, os tanques ficavam cheios da água da chuva. Nós, miúdos endiabrados só íamos para onde não devíamos!...
A minha mana com três anos, e assim como ainda hoje sempre gostou de brincar, caiu dentro de um dos tanques. A água estava geladíssima. Ela esbracejava e quanto mais o fazia mais se afundava, para ela o tanque era enorme. Todos os miúdos gritaram por ajuda, mas a família estava um pouco longe, não ouvia! Os garotos correram a chamar gente, mas, então o meu primo mais velho que ela, com cerca de seis anos e num acto heróico e sem pensar no perigo, atirou-se à agua gelada e agarrou a garota com grande esforço e com a ajuda dos demais garotos conseguiu tira-la. Logo de seguida chegaram as minhas tias e a minha avó, que a viraram e fizeram com que deitasse fora toda a água engolida, a algazarra foi de tal modo que todo o povo da aldeia veio ver o que se passava.
A minha irmã ainda levou umas palmadas por não saber estar quieta e ficou de castigo. Os meus pais não ganharam para o susto.
E nesta noite, que antecede minha partida, tudo me vem à cabeça, será o medo do desconhecido?
A pobreza é muita, e um miúdo como eu fazer a escola tem de palmilhar 4km para um lado e outros tantos para voltar para casa.
A aldeia está longe de tudo, os agasalhos são poucos e pobres não têm dinheiro para irem para uma Escola Industrial ou Liceu.
Também me vem há ideia um Inverno em que meu pai matou o porco para salgar - não havia outro modo de guardar as carnes, e quando se mata o porco faz-se comida para toda a família. Eu era um garoto como tantos outros, todo cheio de genica e curiosidade, empoleirei-me num pilar da casa que não era rebuçada. Pus um pau num buraco de tijolo para poder ver tudo, claro que meia dúzia de tijolos me caíram em cima da cabeça.
O meu pai, sem dinheiro nem transporte, teve que chamar um táxi (coisa de ricos), o único numa zona de 30 km , para me levar ao hospital, enquanto a minha mãe me levava ao colo na direcção, de onde o carro haveria de chegar. Tinham telefonado do único telefone da aldeia. O meu pai seguiu à frente para pedir dinheiro emprestado para me poder tratar devidamente.
Ainda a noite é uma criança, como costumo ouvir os grandes dizerem, e eu aqui sem dormir, com estas coisas todas a virem à minha memória.
Fui operado à cabeça. Estive imenso tempo no hospital. Nem sei quanto! Perdi a noção, sofri várias intervenções cirúrgicas, mas graças a meus pais fiquei tudo se restabeleceu.
Hoje recordo o garoto humilde a caminho da cidade, que me esperaria?
Trabalho? Mas o trabalho nunca me assustou, assustam-me sim as pessoas mas o que for se verá.
Já perto da madrugada fui para a cama, mas pouco descansei. A emoção e o medo do desconhecido apavorava-me.
E assim, ainda o sol não tinha nascido, lá parti para a aldeia que existe no sopé da colina e que dista cerca de 3 km para apanhar o transporte para a cidade, apesar da distância da cidade ser cerca de 60 km a camioneta leva três a quatro horas a chegar a Lisboa.
A paisagem continua linda e, na altura tentava reter na memória o deslumbramento do raiar da aurora, a extensão que a nossa vista abrange até ao horizonte, é de dezenas de kilómetros, até as torres do convento de Mafra se avistam, e engraçado, antigamente não havia relógios como hoje e meu pai dizia muitas vezes as horas pelo sol, e para ele quando era meio dia, o sol estava entre as duas torres do convento de Mafra, e este dista da minha casa cerca de 30 Km.
Cheguei bastante cansado, não sei se pelos nervos se pelo receio do desconhecido.
E, meu Deus, o que me esperava uma mercearia onde o trabalho era carregar os cestos de compras para as senhoras! Mas não era pelo elevador! Era pelas escadas de serviço.
Dormia num vão de escada da loja e, à noite, a solidão era mais que muita. Valia-me os domingos porque ia para casa de minhas tias e, aí sim, tinha os miminhos todos, era adorado por todas elas. Meus pais entretanto sofriam com a minha ausência.
Continuei lutando e quis a vida que fosse fazer a tropa a Timor, local onde adorei estar. Muito pobre parecido com a minha aldeia, mas valeu pelos conhecimentos adquiridos.
A minha mana que se ia afogando, costuma dizer, que sou seu ídolo, o seu confidente, o seu irmão do coração, o seu amigo, um excelente filho, mas além de tudo um excelente ser humano.
E ainda hoje que já lá vão sessenta anos, a admiração que tem por mim creio que não tem limite.
Claro que voltei da tropa e com o que fui aprendendo ao longo da vida, minha vida está mais suave. Sou muito humano e tolerante, mas jamais esquecerei a luta e aprendizagem de vida que tive de fazer para chegar aqui.
Hoje estou com quase sessenta e quatro anos estou sentado debaixo da mesma árvore, pensando no que falhou na minha vida…
As separações... Os que partiram... , e não sei se sou mais feliz do que quando tinha a idade em que os dos caga-lume me beijavam a face.
Mais rico sou, pois minha filha enche-me a alma e com ela perto o meu coração brilha de amor.
28 de Fevereiro de 2009
Guida

domingo, 26 de abril de 2009

Porque desvia o Olhar?




“… Porque tenho medo das alturas. Tenho medo de cair para dentro de ti de teu olhar!
Há nos teus olhos castanhos certos desenhos que me lembram , montanha, cordilheiras vistas do alto, em miniatura!
Então eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e salvar-me do amor.
Mas, hoje não encontraram pedras.
Encontraram flor.
E eu amarrei-me ás pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos dentro de teus olhos… “
(Autora: Rita Apoena)

terça-feira, 21 de abril de 2009

ter cão


A minha companheira de há catorze anos, Talula Maria. É uma borrega, pulguenta, doce, ternurenta e bem cheirosa...
Adora crianças especialmente a Bekas e a Tyta.
Gulosa e barriguda, a idade não perdoa, mas continua linda de morrer com a sua meiguice e companheirismo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009


(Imagem de: Joana Vasconcelos?)

TU

Tu cegas-me;
Tu maravilhas-me;
tu confundes-me;
tu enlouqueces-me;
tu baralhas-me;
tu envergonhas-me;
tu orgulhas-me;
tu envelheces-me;
tu rejuvenesces-me;
tu amas-me;
tu odeias-me
tu elogias-me;
tu enriqueces-me;
tu apaixonas-me;
tu enalteces-me;
tu, tu, tu, tu...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Pesadelo

Andava vagueando pelas salas num passo bem lento porque para apreciar todas as belezas expostas, só mesmo com muito tempo. O edifício era bem alto, tipo palacete com paredes grossas e janelas em ogiva. O dia estava muito claro, o sol era muito luminoso… Como sempre, os meus filhos acompanhavam-me nestes passeios e visitas às exposições, que tantas vezes fazíamos…
A verdade é que, de um momento para o outro, deu-me a sensação de ter ficado só. Olhei em redor não via vivalma. De um momento para outro desapareceu-me o meu filho mais velho.
Tentei chamar, gritar, mas a voz estava presa. Nem um ruído saía. Que desespero o meu! Transpirava! O esforço que fazia para me mover e gritar era em vão. Nem uma sílaba saía – estou louca, pensei. Não estou neste local!
Mas como que por assombro meu, vi um vulto aparecer a uma das muitas portas, e eu sem conseguir falar. O vulto, que era nada mais nada menos que um amigo de meu filho diz-me de um modo cruel, teu filho morreu. Encontra-se no velório da igreja para ser cremado.
Fiquei louca! Corri para o rapaz e bati-lhe tanto, que pensei, também o mato! Até que alguém me arrancou o rapaz das mãos.
De modo mais racional, pensei eu, e comentei: meu filho não vai ser cremado sem ser autopsiado. Primeiro exijo saber a causa de sua morte…
Ouvi uma voz desconhecida que disse, não tens o direito de exigir nada. Teu filho já fez dezoito anos e pediu para que assim fosse!
Acordei… Estava louca, impávida, de olhos arregalados, as lágrimas caindo e o pranto era de tal modo que nem me conseguia mexer… com medo de ser verdade.
Foi um pesadelo. Um pesadelo que se repete muitas vezes em meus sonhos!
E o medo de perder quem tem uma vida para viver enlouquece-me!
Pela ordem normal da vida eles é que terão um dia de fazer o luto por mim. Sobrevivendo-me.

05 Março de 2009
Lembranças


Era esguia, de uma beleza invulgar, cabelo preto comprido, preso por umas tranças de lado, toda ela sorria.
Era a terceira dos quatro filhos. Parecia uma gazela, suas pernas ágeis tudo trepava. E por incrível que pareça a sua maior alegria era estar bem debaixo das saias da mãe…Apesar das traquinices, no seio da família é que se sentia bem.
Mas, estava prestes a acabar…
Haviam uns primos do pai, que viviam mais afastados daquela aldeia, e que eram um pouco abastados, Como lhes dava um certo prestigio terem serviçais em casa, a pobre garota foi forçada a ir trabalhar a troco de meia dúzia de tostões, comida e dormida.
Isso era um alívio para os pais, havia mais uns cobres no fim do mês e menos uma boca a comer.
A pobre miúda com dez ou onze anos, estava angustiada, por se ver em casa estranha e sem os pais e irmãos, a todo o momento chorava, as noites eram tormentosas, encontrava-se em casa estranha e para maior infelicidade a petiz era constantemente molestada pelas primas “finas” filhas do patrão, ora lhe chamavam galga de forma pejorativa, pela sua elegância e beleza, ora juízo de passarinho, como se a pobre garota não soubesse pensar.
Ela que na sua aldeia era o ídolo da criançada, todos, todos a seguiam.
Mas como não bastasse não viam a sua idade e tudo a mandavam fazer: lavar a roupa no tanque de manhã, que para o fazer a menina tinha de partir a camada de gelo que tinha a água, as lágrimas corriam, e os soluços tomavam conta dela, e as “ finas” sempre a massacrar.
Por um lado os pais estavam descansados a filha estava a trabalhar e o resto não importava, era obrigação dela, visto já ter feito todos os estudos ( a 4ª classe).
Mas o coração da pequena não aguentava o modo como era tratada e as saudades de casa faziam-na sofrer demais.
Um dos dias que foi à fonte buscar água, pensou, porque não agora? E se bem o pensou melhor o fez. Largou tudo e sem conhecer o caminho meteu pés ao caminho atravessando terrenos, montes fazendas, sítios que nem sequer sabia existirem, mas o seu sentido de orientação pelo sol levou-a a bom porto.
Claro que ficou com um medo de morte pelo que lhe iria acontecer, já sabia que a violência física iria ser aplicada em si, ser tão frágil, franzina e carente, que só fugia para ter amor.
Como tinha medo de apanhar tareia, foi ter com a avó materna, que a amparou e a escondeu até que pôde.
Ora no final da tarde, e como a menina não havia voltado da fonte, os primos telefonaram para o único telefone existente na aldeia, dando a conhecer que a menina havia fugido. É obvio que os pais apesar de tudo ficaram preocupados, e a mãe correu pela aldeia para ver onde ela estava. Quando se apercebeu de que a avó a tinha escondido, ficou possessa, e gritou: saia da frente da miúda senão levam as duas…
A avó não teve remédio e a garota lá foi de rastos a chorar e a levar pancadaria, como não foi suficiente e a mãe ainda não satisfeita, fez as queixas ao pai, que se encontrava já bastante atestado de vinho.
E a melhor maneira que lhe pareceu para a castigar, como se não tivesse já sido castigada, foi desancá-la com o cinto, e tanto bateu que a fivela abriu uma brecha na cabeça da criança e o sangue jorrou por todos os lados, satisfeitos com a acção pois o bater era comum neste casal.
A criança ficou bem mal, estive cerca de dez dias de cama tal foi o maltrato.
Eu sei que “ casa que não tem pão todos ralham e ninguém tem razão “ mas isso não deveria ser motivo para maltratar uma criança linda e ternurenta que só corria para os pais em busca de amor…
O tempo passou e a bela garota agora com idade adulta, já se encontrava em Lisboa a trabalhar. Os problemas continuaram a ser imensos para certas mentalidades.
A garota, agora mulher tinha uma figura linda, era alta, bem elegante, cintura fina, olhos escuros e vivos, boca bem desenhada, e claro bem namoradeira… Os pretendentes pareciam abelhas em volta das flores.
E aí os problemas surgiam de novo, sempre que os pais tinham uma informação desta ou daquela, porque a inveja roía… A garota bonita era malhada com o que houvesse à mão.
Até que um dia e para alivio dos pais, a menina arranjou um namorado na América, era ideal para seus problemas terminarem e não haver mais falatório a respeito da mesma.
O noivo veio a Portugal casar. E a pobre garota que só queria estar com os pais, viu-se de malita na mão com meia dúzia de peças de roupa e lá seguiu vida nova.
Para os pais foi um alívio, mas o sofrimento da garota não ficava por aí…
Hoje já com idade avançada, mãe e avó, doente a cansada, ainda recorda bem demais, a falta que lhe fez a casa dos pais, o que mais queria era um sonho, o sonho de ser amada e bem tratada por quem lhe deu a vida.
Ser pobre é o quê? Não ter dinheiro! Sim , será?
Mas pobre de coração o que será? Rejeitar e tratar mal quem saiu de dentro de si?
Eu acho que é maldade.
Mas tudo passa na vida e hoje o que a garota mais quer , é que não façam a ninguém aquilo que fizeram com ela.

03 de Março de 2009
Margarida

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Balalayka


Instrumento musical,típico dos países do Leste, e que me é muito querido pelas minhas recordações da infância.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A Flor da honestidade


Conta-se que por volta do ano 250 A.C. , na China antiga, um príncipe da região norte do país estava ás vésperas de ser coroado Imperador mas, de acordo com a Lei ele deveria casar.
Sabendo disso ele resolveu fazer uma disputa entre as moças da corte, ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.
No dia seguinte o príncipe anunciou que receberia numa celebração especial todas as pretendentes e lançaria um desafio.
Uma velha senhora serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leva tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar a casa relatou o facto à jovem e admirou-se ao saber que ela pretendia ir, à celebração e perguntou incrédula:
_ Minha filha que farás tu lá? Estarão presentes as mais belas e ricas moças da corte. Tira essa ideia insensata da cabeça, eu sei que tu deves estar a sofrer mas não tornes o sofrimento uma loucura.
E, a filha respondeu: Não querida mãe, não estou a sofrer e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida… mas é a minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, e, isso já me torna feliz.
À noite a jovem chega ao palácio. Lá estavam de facto as mais belas raparigas, com as mais belas roupas, e as mais belas jóias, e também as mais determinadas intenções .
Então finalmente o príncipe anunciou o desafio:
- Darei a cada uma de vós uma semente. Aquela que daqui a seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida para minha esposa, e futura imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu as profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de “cultivar” algo.
O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes de jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava de se preocupar com o resultado.
Passaram-se três meses e nada surgiu.
A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido.
Dia após dia, por fim os seis meses haviam passado, e nada havia nascido da sua semente.
Consciente do seu esforço e dedicação a jovem comunicou a sua mãe que, independentemente das circunstâncias retornaria ao palácio na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.
Na hora marcada lá estava, com o seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela que a outra das mais variadas formas e cores.
Ela estava admirada nunca tinha presenciado tão bela cena.
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes, com muito cuidado e atenção.
Após passar por todas uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reacções. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado.
Então, calmamente o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz “ A Flor da Honestidade”.
Pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
Se para vencer estiver em jogo a sua honestidade… Perca.
(Desconheço o autor)

domingo, 11 de janeiro de 2009

EXISTÊNCIA

Se amar é vida…
Porque a perco dia a dia?

Eu amo no extremo
Tudo o que faço é com amor;
Acarinho a sedução do ser;
Acaricio num amplexo de doçura,

Sussurro poemas quando eu amo
Dou amor…sem ver
Ela diz não…fico sereno,
Aceito sorrindo a dor,

Revolto-me…
Porque estou acabando,
Cabelo branqueando,
Rugas rasgando.

Se foi tanto o amor que dei,
Porque vou findar?

O tempo passou e eu amei
E eu sei… Não posso lutar.

Porque ao soletrar,
O verbo amar…
É dar tudo…
Até a vida…

“ autor António Zumaia “


M :
- De Mãe, Mulher, e Maria


Ora bem o “ M “ de mulher na realidade é tão abrangente como todos os outros, mas vamos ver neste texto e como se aproxima o dia Internacional da Mulher ( 8 de Março), as coisas positivas, que estes três “ Ms “ , têm para dar.
Ora bem, o papel da mãe na vida de seus filhos é um dos factores mais positivos e belos na vida dos mesmos, desde a data da sua concepção, até ao nascimento continuando pela vida fora, ela dá AMOR, AMOR E MAIS AMOR…
A mãe sente-se orgulhosa do seu volume a barriga crescendo e o corpo ficando disforme mas lindo, ela está e sente-se magnífica e linda por transportar em si uma nova vida para o mundo (embora esse mundo por vezes não corresponda aquilo que a mãe deseje para seu menino), ele vem ao Mundo e a alegria é sempre mais e mais, e apesar de todos os trabalhos, canseiras e noites mal dormidas, passam-se os anos e a mãe desde o seu nascimento deixou de ter horas para ela, todo o tempo foi dedicado com Amor ao bem-estar da família, muitas vezes tirou de sua boca para que o melhor fosse para seus filhos e sempre com um sorriso de boa disposição e alegria.
E, assim continuou até que o mesmo seguiu o seu rumo, encontrou o amor da sua vida e saiu de casa, e como existe sempre uma repetição da história, mais uma família se constituiu.
Ora bem, este 1º papel de “ M “ Mãe, também foi ao mesmo tempo Mãe e Mulher, ela cuidou do companheiro, limpou, organizou a casa, fez as compras, carregou, levou para casa as mágoas ou alegrias do trabalho, que poderia ou não correr bem, foi à Escola levar e buscar os filhos, vai às reuniões da Escola, leva os meninos à ginástica, faz as refeições, lava a roupa, engoma, prega um botão e tudo o resto que está descosido, limpa o pó e um sem número de coisas invisíveis aos olhos do homem comum.
Na realidade estes factores onde se juntam o 1º “ M “ de Mãe e o 2º “ M “ de Mulher estão incluídos o 3º “ M “ de Maria e Maria porquê?
Maria porque a todos os trabalhos efectuados por nós mulheres associamos sempre o papel de “ Maria” para trabalhar, para dar, para exigir, sempre e sempre, esquecendo o muito Amor que a Mãe, Mulher, Maria sempre deu a todos os seus e também a todos os que estão em seu redor sem nada cobrar em troca, sendo tratada na maior parte das vezes como uma máquina, exigindo amor e trabalho, e sem haver o cuidado de lhe darem os cuidados e o amor de que ela necessita e merece…
Mas como a Mãe, Mulher, Maria continua sendo uma lutadoura diariamente vai adquirindo os direitos um a um, que lhe são devidos, pelo muito Amor, Ternura, Compreensão, Tolerância, Conhecimentos e muito mais que deu de si a vida inteira.

2007 – Janeiro 21
Margarida Simão

sábado, 10 de janeiro de 2009

A vida

A VIDA


Já escondi um amor com medo de perdê-lo,
Já perdi um amor por escondê-lo…
Já segurei na mão de alguém por estar com medo,
Já tive medo ao ponto de não sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava da minha vida,
Já me arrependi por isso…
Já passei noites chorando até pegar no sono,
Já fui dormir tão feliz,
Ao ponto de nem conseguir fechar os olhos…
Já acreditei em amores-perfeitos,
Já descobri que eles não existem…
Já amei pessoas que me decepcionaram,
Já decepcionei pessoas que me amaram…
Já passei horas na frente do espelho, tentando descobrir quem sou,
Já tive tanta certeza de mim ao ponto de querer desaparecer…
Já menti e me arrependi depois,
Já falei verdade e também me arrependi…
Já fingi não dar importância a pessoas que amava,
Para mais tarde chorar quieta no meu canto…
Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
Já chorei de tanto rir…
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,
Já acreditei em pessoas que não valia a pena,
Já deixei de acreditar nas pessoas que realmente valiam…
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse…
Já gritei quando deveria calar,
Já gritei quando deveria gritar…
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar a uns,
Outras vezes falei o que não pensava para magoar outros…
Já fingi ser o que não sou para agradar a uns,
Já fingi ser o que não sou para desagradar a outros…
Já contei piadas e mais piadas sem graça,
Apenas para ver um amigo feliz…
Já inventei histórias de final feliz para dar esperança a quem precisava…
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade…
Já tive medo do escuro,
Hoje no escuro “ me acho… me agacho… fico ali… “
Já cai inúmeras vezes achando que não me ia reerguer,
Já me reergui inúmeras vezes, achando que não caia mais…
Já liguei para quem não queria,
Apenas para não ligar para quem realmente queria…
Já corri atrás de um carro,
Por ele levar embora alguém que eu amava…
Já chamei pela minha mãe no meio da noite,
Fugindo de um pesadelo, mas ela não apareceu,
E foi um pesadelo maior ainda…
Já chamei pessoas próximas de “ amigo “
Algumas pessoas não precisei de chamar nada,
E sempre foram e serão especiais para mim…
Não me dêem formulas certas,
Porque eu não espero acertar sempre…
Não me mostrem o que esperam de mim,
Porque vou seguir meu coração!...
Não me façam ser o que eu não sou,
Não me convidem a ser igual,
Porque sinceramente sou diferente!...
Não sei amar pela metade,
Não sei viver mentiras,
Não sei voar com os pés no chão…
Sou sempre eu mesma,
Mas certamente não serei a mesma para sempre…

Guida

Minhas mãos

AS MÃOS


AS MÃOS APANHAM SEMPRE OS CACOS… E, SEGUEM SEMPRE EM FRENTE





Ora muito bem vamos então às mãos, descrevê-las é bastante difícil pois elas são multifacetadas, elas podem ser calejadas, macias bem tratadas, são para mim comparadas com o coração…
Com as nossas mãos sentimos o coração:
-Sentimos o que os olhos vêm;
- Sentimos o que o nosso olfacto nos transmite;
- Sentimos o que o nosso paladar nos diz;
- Sentimos o que nossos ouvidos ouvem;
- Sentimos o tacto de todas as coisas, sentimos o Amor, fazemos carinho, dizemos adeus, e tantas outras coisas.

É incrível como nem nos apercebemos do bem super precioso que são as nossas mãos. Foi com elas que comecei a fazer gracinhas quando nasci, mais tarde as mesmas demonstraram amor a quem me rodeava, com as mesmas aprendi a trabalhar e seguindo o rumo da vida, também elas aprenderam a escrever, a descobrir o meu corpo e claro sempre com o decorrer do tempo, também através de meu coração, as minhas mãos me mostraram a maior das sensações da minha vida, as minhas mãos pegavam ao colo o meu primeiro filho, e ainda hoje me recordo bem dessa sensação e já lá vão 40 anos, um ser minúsculo e lindo, doce e macio, minhas mãos percorreram seu corpo vendo com meus dedos se tudo estava bem, com meu bebé.
Claro que mais tarde voltei a sentir o mesmo com o nascimento do meu segundo filho, creio terem sido os momentos que minhas mãos e meus dedos mais felizes se sentiram em toda a minha vida.
No entanto analisando neste momento, estes dois pedaços de carne, com uns ossos e uma pele já gastas e uns tendões a segurar, e sentem-se como nunca eu pensei ser possível que conseguissem trabalhar tanto e com orgulho pelo que fazem, na sua vida o seu objectivo 1º é dar, é ser útil, elas se estendem para os outros nunca ficam encolhidas seja qual for a situação.
Pois bem as minhas mãos, para além de saberem acariciar e de dar AMOR, elas sabem falar, pois eu falo através delas, sabem cozinhar, limpar, fazer trabalhos manuais, servem também para repreender, para dar ordens. Amigos, tanto, tanto que elas fazem, dar banho às netas e à nossa cadelinha “ Talula”, que faz parte da família, arrumar tudo o que em casa é deixado fora do sítio, e o que não é deixado tem que ser limpo, elas o fazem.
Mas também servem para dar aquele abraço a um amigo que tanto necessita de umas festas na cabeça e nas costas, claro que as mesmas por vezes também se zangam comigo pelo mau trato que lhes dou, pois como são fortes exijo sempre demais delas, mas eu sei que elas me desculpam, pois como digo muitas vezes “ O legado que me foi deixado por herança por meus pais” foram duas mãos e dois braços fortes para trabalhar, pois nunca se recusaram a nada, e ainda hoje com tanto trabalho que toda a vida tiveram, elas sentem-se felizes por poderem ser úteis a todos os que as rodeiam.
E, assim as minhas mãos são lindas, fortes e saudáveis, agradeço às minhas mãos tudo o que de bom me deram a conhecer e a sentir na vida, (pois coisas tristes não são para mim), olho para elas e fico grata por tudo o que têm feito e claro não as vou deixar descansar ainda, temos muitas coisas boas na vida, que temos que fazer em conjunto, desde ajudar os filhos e as netas, até aos meus idosos da Santa Casa da Misericórdia onde faço o meu voluntariado, aos meus meninos de rua da Costa da Caparica onde as minhas mãos vão também ajudar voluntariamente para que tenham uma vida mais saudável e felizes, os trabalhos na minha casa também, mas tudo o que fazemos juntas elas sabem que é sempre por uma boa causa, para que todos sejam mais felizes neste mundo.
OBRIGADO MINHAS MÃOS.


Margarida Simão

CÃO D'ÁGUA PORTUGUÊS

TER CÃO

Talula,
Tu és um saco de pulgas.
Tu nunca tiveste um minuto de trabalho.
Tu lambes a cara de desconhecidos com a única intenção de me envergonhar.
Por vezes tresandas como uma manta velha, mal cheirosa e húmida.
Não és apenas daltónica, tu nem sequer sabes distinguir uma carpete de um sofá.
Tu finges que achas a palavras “ Não “ incompreensível, tu insistes em partilhar o teu desafinado latido com a vizinhança inteira.
Por alguma razão tens medo de estátuas, as estátuas põe-te louca.
Tu não tens vergonha nenhuma, tu és a coisa mais preguiçosa, suja, teimosa, que conheci em toda a minha vida.
Mas eu acho que és perfeita.
Margarida Simão

Quero

Escrito em terça 25Fevereiro 2008
“Nem a tristeza, nem a desilusão,
Nem a incerteza, nem a solidão... ... Nada me impedirá de sorrir...
Nem o medo, nem a depressão, Por mais que sofra meu coração...
Nada me impedirá de sonhar...
Nem o desespero nem a descrença, Muito menos o ódio ou alguma ofensa...
Nada me impedirá de viver...
Mesmo errando e aprendendo, Tudo me será favorável... Para que eu possa sempre evoluir, Preservar, servir, cantar, agradecer, Perdoar, recomeçar...
Quero viver o dia de hoje, Como se fosse o primeiro...
Como se fosse o último, Como se fosse o único...
Quero viver o momento de agora, Como se ainda fosse cedo, Como se nunca fosse tarde... Quero manter o optimismo, Conservar o equilíbrio e fortalecer A minha esperança... Quero recompor minhas energias Para prosperar na minha missão e viver alegremente todos os dias...
Quero caminhar na certeza de chegar...
Quero lutar na certeza de vencer...
Quero buscar na certeza de alcançar,
Quero saber esperar para poder realizar Os ideais do meu ser... ENFIM, Quero dar o máximo de mim, Para viver intensamente e maravilhosamente TODOS OS DIAS DA MINHA VIDA!!! Achas que será assim tão difícil????
Guida

Se eu voltar a nascer

Se eu voltar a nascer

Será que depois desta vida nós voltaremos? Ninguém sabe pois de todos os que foram, não existe conhecimentos de cá terem voltado…
Mas, se isso acontecer e se algum conhecimento eu tiver de tudo o que se passou em minha vida eu vou deixar seguir o seu curso claro, mas acho que bem mais cedo eu irei lutar, para que minha liberdade seja maior, as limitações do ser humano são enormes, e o medo de magoar os demais é do tamanho do mundo, é bastante constrangedor, e limita-nos o nosso modo de agir, a nossa maneira de estar no mundo, de nos exprimir-mos, de nos dar-mos, porque tudo está controlado pela sociedade, o que parece mal, o que parece bem, e acabamos por não ser nós próprios, acabamos por ser aquilo que a sociedade quer que sejamos.
Ora quantas vezes e apesar de não ser nova, me apetece sentar no chão a brincar com as crianças, mas não posso! Maluca… diriam logo, não bate bem, perdeu o juízo… e se me apetecer descalçar? E levar os sapatos às costas? Coitada, passou-se…
Enfim, irei continuar a divagar, mas de uma forma geral são estas pequenas coisas que levam às grandes e nos leva a fazer só o que a sociedade em que estamos inseridos quer, por causa do parece mal.
12/12/2008
Margarida Simão

Natal da minha infância

Natal da minha infância



O frio incomodava. Os pés descalços a pouca roupa e uma saca em bico pela cabeça para proteger um pouco os cabelos que já se encontravam molhados, e brincávamos às escondidas, para não arrefecermos os corpos franzinos. Assim se comportavam as crianças da minha aldeia nos poucos dias que antecediam o Natal.
Quando nos sentávamos no átrio para apanhar uma réstia de sol, só se falava do Natal, não dos presentes pois esses não havia, mas das flores de azevinho e do musgo que tínhamos de apanhar no mato, e que era o motivo do nosso contentamento e alegria, a missa do galo, noite em que nos deitávamos tarde. A azáfama de fazer o presépio era um vai-e-vem, o presépio era lindo tinha água a correr,
musgo a sério com as figuras pitorescas , que era uma alegria ver.
A criançada com o ranho no nariz, mal agasalhados, e mal calçados, mas, estavam felizes.
O presépio era sempre feito por minhas tias mais novas, e a petizada trazia as verduras, pedras, e troncos. As figuras eram retiradas religiosamente do sótão, para ficarem expostas durante três semanas.

Na véspera do Natal a azáfama era grande. Íamos para casa de meus avós maternos, onde era feito o jantar com as couves e peixe seco, pois o bacalhau era caro.
Minha mãe junto com minha avó e tias faziam as filhoses lêvedas com abóbora e fatias douradas, arroz doce e aletria. Meu avô como estava muito frio e para que nos aquecêssemos, assava grão de bico e punha-nos nas mãos para ficarmos quentinhos a comer e contar histórias, junto à lareira.
Quando voltávamos para nossa casa já vinha tudo encavalitado no meu pai, um em cada braço outro às cavalitas e ainda outro ao colo, mortos de sono e exaustos da brincadeira, pois não havia o hábito de deitar tarde lá em casa.
Até que chegávamos ao grande dia!. De véspera já tínhamos deixado os sapatos velhos e rotos, mas bem limpinhos, junto à chaminé.
Dia de Natal bem cedo nos levantávamos, íamos acordar meu pai, que nos levava às cavalitas até à chaminé, para que pudéssemos ver o que o menino nos deixou, e o nosso espanto era tamanho, e a felicidade sem limites, pois os nossos sapatos
tinham uma bela boneca de trapos para cada uma de nós, eu e minha mana, os rapazes, meus dois irmãos, tinham uma bola de trapos , possivelmente feita pela bisavó Teresinha que era perita nesses feitos, três castanhinhas ( pois minha terra não é zona de castanheiros) e meia dúzia de rebuçados deliciosos,
e que nos deixavam no coração uma alegria imensa, pela grandeza dos bens recebidos.
De seguida, e como ninguém sofria de falta de apetite… tínhamos umas papas de milho bem quentinhas à espera para o pequeno almoço, e regadas com um doce delicioso chamado “arrôbe” feito de mosto (sumo de uva antes de esta fermentar), seguido dos doces da véspera, claro. Eram de facto os nossos acepipes, que ainda hoje fazem crescer água na boca de tão puros e bons que eram.
As roupas eram poucas, mas nem frio sentíamos, bem está o ditado popular “ … Deus dá o frio conforme a roupa…”, pois com tão pouco os nossos olhos transmitiam e sentiam alegria, saúde e muito, muito amor, em todos os Natais. Onde o dinheiro não existia, existia sim o calor humano.
Dezembro 2008

Margarida Simão

Bolero

“Bolero”


Engraçado, dei comigo a cantar “ Bolero “ de Ravel, por vezes associo um determinado acontecimento ou leitura de um livro a uma música, e esta música é uma das minhas preferidas, o tempo que estive “ suspensa no tempo” passou tão rápido, foi como que uma levitação em palco mas sem espectadores.
E, é engraçado estou a caminhar para sul, á minha direita está um sol poente lindíssimo com uns tons encarniçados e alaranjados, umas nuvens escuras que se querem infiltrar e que encantam minha visão e me enchem a alma, à minha esquerda a lua já se levantou e está uma lua cheia, de uma beleza espantosa.
Até parece que ambos os astros me estavam esperando para me beijar, no meio do namoro que o sol está a fazer à lua.
De facto os nossos olhos quando querem , ou quando estamos predispostos, eles em tudo vêm um brilho de amor, até o namoro do sol com a lua. Isso quer dizer que também nosso coração está transpirando amor, e nossos olhos vêm tudo o que os rodeia com muito mais atenção, com muito mais pormenor, e o “Bolero” de Ravel continua na minha cabeça. A música parece que tem sempre o mesmo tom, mas eu sei bem que não, a música vai progredindo e os acordes são tão intensos e melodiosos, que a paz interior é enorme.
Toda esta harmonia do Sol, Lua, música e coração, nos traz a paz semelhante à que sinto quando vejo o arco íris, adoro o arco íris:
- Suas cores estão ligadas aos sabores;
- Suas cores estão ligadas aos cheiros;
- Suas cores estão ligadas às sensações;
- Suas cores estão ligadas aos sentidos;
- Suas cores estão ligadas ao amor;
- Suas cores estão ligadas às crianças;
- Suas cores estão ligadas à alegria.

Penso que o arco íris é o equilíbrio da vida, se ele não existisse a vida não tinha este sabor de esperança, sabor de viver com um mundo de cores, que nos alegram e nos mostram a paz depois de uma tormenta.
Obrigada arco íris, pois apareces inesperadamente do nada, como de uma poça de água, de uma queda de água, de umas gotas de orvalho que se encontram nas plantas, depois de uma tempestade ou claro depois de umas boas chuvadas, mas que nos dão uma sensação de bem estar, harmonia, amor e claro na minha cabeça continua com os sons lindos e tranquilizantes de “ Bolero”…

12/12/2008

Margarida Simão

Arco irís

Arco-íris

- Porque gosto de cores alegres;
- Porque a claridade anima quem está triste;
- Porque o arco-íris é o resultado de uma fusão de brilhos, Sol e água, e o seu resultado é esplêndido;
- Porque ele aparece sempre que o temporal nos deixa, para aliviar nossos receios;
- Porque ele delicia tanto os pequenos como os grandes, os novos e os menos novos, os ricos ou os pobres;
- Porque ele nos transmite paz;
- Porque ele nos dá com sua beleza de cores, animo e força para prosseguir nosso caminho, sobre pétalas de flores com milhares de cores, onde nossos sentidos se regozijam, pelo odor benéfico recebido;
- Porque arco-íris é amor.
Eu amo o arco-íris, por todas as suas cores, e sensação de liberdade por nunca o podermos apanhar.


Dezembro 2008

Margarida Simão

A Paz

A Paz

Ter paz é brincar com as crianças,
Voar com os passarinhos,
Ouvir os riachos quando desliza sobre pedras e embala os ramos verdes que em suas águas se espreguiça,
Ter paz é aprender com os próprios erros, e dizer não quando não se quer dizer…
Ter paz, é ter coragem de chorar de sorrir quando se tem vontade
Ter paz, é ter forças para voltar atrás pedir perdão, refazer caminho e agradecer…
A paz que trago hoje em meu peito, é a tranquilidade de aceitar os outros como são, e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
É a humildade de reconhecer que não sei tudo, e aprender, aprender…
É a vontade de dividir o pouco que tenho, e não me aprisionar ao que não possuo, é melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado.
É ter a lucidez de distinguir uma coisa da outra.
É admitir que nem sempre tenho razão e mesmo que tenha, não brigar por ela.
A paz que hoje trago em meu peito, é a confiança em quem aplica a palavra Shikoba

Junho/2008

Envelhecer

*Sentir-se jovem é sentir o gosto
De envelhecer ao lado da mulher
Curtir ruga por ruga de seu rosto
Que a idade sem vaidade lhe trouxer. *

*O corpo transformar-se em escultura
O tempo apaixonado é um escultor
E a fêmea oculta na mulher madura
Explode em sensuais formas de amor.

Ser jovem cinquentão não é preciso
Provar que emagrecer rejuvenesce
Pois a melhor ginástica é o sorriso
E quem sorri de amor nunca envelhece.

Amar ou desamar sem sentir culpa
Desafiando as leis do coração
Não faça da velhice uma desculpa
E nem da juventude profissão.

Idade não é culpa,
Velhice não é desculpa
Nem mesmo a juventude é profissão.

Fica mais velho quem tem medo de ser velho
Roubando sonhos de alguma adolescente
Dizer que ele "dá duas", que é potente
Mentir para si próprio e para o espelho.

A idade é uma verdade, não ilude
Quem dividiu a vida com prazer
Velho é se drogar de juventude
Ser jovem é saber envelhecer.

Velho é quem se ilude
Que a idade é juventude
Ser jovem é saber envelhecer.*
(Desconheço o autor)

Natalis-2006

ESTE É SOBRE O TRABALHO QUE TIVEMOS NA “ NATALIS “




“…`Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
… “
In Mensagem “ Fernando Pessoa “


Quantas mães e mulheres choraram… lutaram, e continuam lutando pelos homens deste país, que esses mares cruzaram…
Pois este assunto tão pouco debatido pelos órgãos de comunicação social deste país, embora a nossa associação lute a cada dia pelos direitos dos ex-combatentes, e, um dos modos de luta e divulgação das actividades da Apoiar foi a sua presença na Feira Internacional de Lisboa (FIL), neste evento da “ Natalis “ para dar a conhecer e a divulgar todo o trabalho e ajuda de que dispõe a associação, também para ajudar a colmatar os efeitos traumatizantes dos homens que foram enviados para a guerra colonial.
Ora bem, na minha óptica acho que a nossa presença foi muito benéfica.
Pois embora as pessoas não se dirijam com muita expontâneidade à associação, verifiquei que os indivíduos, homens e mulheres talvez com mais de cinquenta anos , paravam, olhavam, e a indecisão via-se nos seus olhares, chegamos mesmo a ver que as mesmas pessoas e seus familiares chegavam a dar mais que uma volta ao corredor , ficando os mesmos no corredor em frente e olhando de soslaio, como que a quererem ganhar coragem para o primeiro passo, claro que sempre que nos era possível e com toda a subtileza, nos aproximávamos oferecendo um impresso com os contactos e as actividades da Apoiar , tentando dar indicações para que os mesmos pudessem chegar até nós com o menor esforço possível. E de facto vieram até nós um número razoável de pessoas, creio ter sido positivo a nossa presença na “ Natalis “ , é de repetir para ajudar quem de nós precisa.
É de salientar o esforço dos técnicos, elementos da Direcção e sócios que se disponibilizaram, para estarem presentes durante toda a semana das 14,30 horas às 23 horas, foi um esforço salutar, bem hajam.
Agora, e por incrível que pareça num dos dias que estive na “ Natalis “ , desloquei-me de táxi do Cais do Sodré para o Parque das Nações, como sou muito conversadora todo o caminho conversei com o sr. Do táxi, e contei-lhe para onde ia, e o que ia fazer, quando o sr. me disse: “ Eu estive na Guiné e sofro bastante…”, fiquei muito constrangida , mas tentei explicar-lhe os objectivos de ajuda da Apoiar, como não tinha nenhum cartão nem jornal expliquei-lhe a localização da nossa associação e dei-lhe o nº de telefone da Apoiar, penso pela necessidade que o sr.me demonstrou que brevemente me irei cruzar com ele na Apoiar e conversar novamente com uma pessoa que foi tão simpática apesar do seu sofrimento.
Dezº 2006
Margarida Simão

Natalis-2008

Natalis


Mais um ano na feira de artesanato de associações de beneficência surgiu.
Portanto um grupo de associados se disponibilizou para que a nossa associação marcasse presença, pois a divulgação da Apoiar é fundamental para que se possa minimizar os traumas que ficaram nos homens e suas familias pelos efeitos da guerra colonial.
Mas, isto não está nada fácil, as poucas horas que lá estive, e apesar de não ser boa observadora, verifiquei que as pessoas andam tristes, a vida está muito cara o povo têm vencimentos muito baixos é um facto, existe muito desemprego e o dinheiro é escasso, logo a tristeza se estampa no rosto de cada um, o Natal irá ser de mingua, e o Mundo está virado do avesso como diz o povo…
Portanto, não sei que intervenção poderemos ter para que:
- todos os dias sejam Natal,
- para que o povo ria, para que possamos ver alegrias nos seus olhos,
- para que o ânimo não lhes falte,
- para que o conceito fraternidade esteja presente em nossos corações.
- para que haja paz no mundo,
- para que as crianças não tenham fome,
- para que as doenças sejam minimizadas,
- para que nos possamos abraçar e amar no mundo inteiro.
E, foi isto que passou pela minha cabeça no tempo tão escasso que estive naquele espaço, dedicado a dar a conhecer as actividades da nossa associação.
Dezº 2008
Margarida Simão

visão de uma nora...LINDA

Se um dia alguém fizer com que
se quebre a visão bonita que você tem de
si, com muita paciência e amor reconstrua-a.

Assim como o artesão recupera a
sua peça mais valiosa que caiu no chão,
sem duvidar de que aquela
é a tarefa mais importante,
você é a sua
criação mais valiosa.

Não olhe para trás.
Não olhe para os lados.
Olhe somente para dentro, para
bem dentro de você e faça
dali o seu lugar de descanso,
conforto e recomposição.
Crie este universo agradável para si e seja feliz.
O mundo agradecerá o seu trabalho.

Brahma Kumaris

A vida dos Militares(teatro)

• A vida dos Militares nas ex-colónias



• Depois de um contacto da actriz Sr.ª D. Fernanda Lapa, com a nossa associação “ Apoiar “, para assistirmos a um ensaio de uma peça onde o tema é: A Vida dos Soldados na Guerra.

• Um grupo de senhoras, esposas de ex-combatentes, deslocou à galeria no Bairro Alto para assistir ao ensaio e dar o seu parecer sobre o tema.

• Deparamo-nos com uma sala mediana, com vinte cinco caixotes de cartão, ordenados em fileiras e um outro rectangular ao lado, a minha sensação pessoal e creio que se estende a todas as outras senhoras que assistiram ao espectáculo, foi a de que, os caixotes expostos representavam os soldados em parada, ou por outro lado também me deu a sensação de caixões de soldados mortos, como víamos tantas vezes há 44 anos atrás (desde 1961).
• Quando para nosso espanto do caixote comprido sai a artista (e utilizando a expressão da época, “ os soldados eram atirados para o Ultramar como carne para canhão”), que vai protagonizar a vida dos soldados durante o tempo (mais ou menos 24 meses) que os mesmos estiveram no Ultramar, ou seja na guerra.
• A meu ver os caixotes representavam etapas nas suas vidas, pois que a personagem no seu monólogo, vai virando caixote a caixote e, dentro dos mesmos vão saindo memórias desconfortáveis e violentas da passagem destes homens pela guerra.
• Os sons violentos no palco da guerra, a sensação de frustração, a impotência dos mesmos perante o que se lhes depara, as saudades da família e de uma juventude que lhes foi roubada, os sons horríveis do material bélico ao redor dos homens, as vidas ceifadas que presenciaram dos seus camaradas, tudo isto provoca um turbilhão de sentimentos e revolta, ao mesmo tempo a impotência a que eram obrigados, pois os jovens eram metidos em barcos ou aviões e nem lhes diziam para onde iam, nem o que iam fazer, quando se aperceberam do horror a que eram obrigados pelo “ Dever à Pátria “, tudo isto ficou interiorizado de tal modo, que as reacções e os efeitos da guerra dessa época, ainda hoje os seus reflexos os acompanham, e têm os seus efeitos aterradores nos maridos, pais, filhos e netos deste país.
• Pois bem, este monólogo muitíssimo bem interpretado pela actriz Sª. D. Fernanda Lapa, está representado com uma intensidade e emotividade que nos transporta para os palcos da guerra real (Moçambique, Angola, Guiné), quando este monólogo magistralmente interpretado finaliza, sentimos o coração pequenino e apertado, os olhos marejados de água e todo o nosso corpo colado e esmagado à cadeira, tal é a realidade transmitida.
• O meu conselho a todas as pessoas é:
• - Não deixem de ir ver o espectáculo, é digno de ser visto, mas é tão intenso, tão forte, tão real, é de que os homens personagens involuntários deste palco, sejam elucidados do que vão ver, pois pela certa, lhes vai trazer lembranças intensas de uma realidade e de factos vividos que ficaram retidos no subconsciente, e que não são os mais agradáveis de suas vidas.
• Lisboa 27/10/2006
• Margarida Simão

Grupo de Auto ajuda( em acróstico

TRABALHO EFECTUADO EM ACRÓSTICO



ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO DO GRUPO DE AUTO AJUDA


Grupo de mulheres valentes
Reunidas em confraternização
Unidas pelos dissabores da vida
Portadoras de muita boa vontade
Operadoras do bem estar de todos

Desejando mudar para melhor a herança que Salazar deixou…
Enfrentando tudo e todos para o bem estar comum

Almejando a saúde, paz e alegria em todos os corações
Unidas na luta por uma vida mais saudável
Tudo faremos para que a alegria entre no coração dos povos sofredores
Operando em todos os campos e em todas as situações para minorar o sofrimento

Ajudando e recebendo ajuda
Jamais desistiremos de ter uma vida saudável e harmoniosa
Unidas vamos sempre de braços abertos para quem precisa
Demos as mãos e fomos almoçar dia 12/12/2006, que correu divinalmente , e conselha- se a sua repetição
Amanhã é sempre outro dia para aprender e ajudar o próximo, e com estes momentos de confraternização são bastante salutares
Margarida Simão

Um dia de nossas vidas

Um dia na nossa vida


Um belo dia de Maio e para renovação de forças, as mulheres do GAM (grupo de auto-ajuda mútuo, saiu de Lisboa para saborear um dia de calma e alegria.
Assim, um grupo de dez senhoras, lá seguiu direitas a Escaroupim, uma aldeia na margem sul do Tejo para um passeio de barco.
Tomamos um suculento pequeno almoço à beira rio para que a fome não nos perturbasse a apreciação do que íamos desfrutar, e lá seguimos direitas ao cais para o embarques das 10 mulheres do grupo, com o sr Manuel ao Leme da embarcação.
De facto o nosso amanhecer foi feliz, e o espaço de tempo que estivemos no rio a fazer o nosso cruzeiro ( cerca de 2 horas), foi super delicioso.
As nossas ansiedades e medos dissiparam-se, pois perante tamanha beleza, a do nosso rio Tejo, os animais que ali habitam, desde as gaivotas a variadíssimas outras aves de nomes que desconheço as árvores e arbustos tombando no rio o sol batendo em nossos rostos maravilhados os peixes em cardume saltando junto ao barco como que fazendo-nos companhia, estávamos de facto em harmonia neste momento mágico, tudo foi luz, cor, vida, silêncio, risos, alegria, um conjunto de sensações calmas e reconfortantes para o nosso bem estar.
Tendo terminado o nosso passeio de barco, e apesar da ameaça de falta de gasóleo, ameaça vâ, chegámos sãs e salvas salpicadas com a brisa do rio e a alma cheia de mais e mais amor, pela beleza da natureza a que os nossos corações não foram insensíveis.
Seguiu-se o nosso almoço e as conversas em redor da mesa, só podemos dizer “ divinal… simplesmente divinal…” muito bem confeccionado, muito bem servido. E claro continuo a recomendar o importante que é para o grupo termos estes acontecimentos de volta e meia… afim de que se possa fortalecer o estômago e o espírito.
Fortalecemo-nos mútuamente para que possamos dar volta às nossas angustias deste modo saudável, e ajudarmos com muito amor, todos os que à nossa volta sofrem, e tanto precisam de um apoio, que só lhes é dado por uma minoria, mesmo minoria da nossa sociedade…
O nosso bem haja à nossa Associação pela possibilidade de usufruir de tão belo dia.
07/07/2007
Margarida Simão

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Poesias, reflecções, contos, frases

Pretendo com este blogue escrever textos , escrever poesia , mensagens e contos, deste modo posso dar a conhecer a todos os meus escritos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008